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Deu no “Sonhos e Melodias”

FaceMaçaGuardiã dos livros. Roseli Pedroso é escritora, bibliotecária e blogueira. Acabou de escrever em seu Sonhos e Melodias uma resenha bacana para o romance Face emplumada. Como autor, acho bem legal saber onde o livro toca em cada pessoa. No caso da Roseli, ela disse que gostou “demais do Guto, personagem central mas, confesso que me encantei com seu Galdino, personagem árido feito seu sertão…”. Em outro momento ela relata: “os conflitos que se apresentarão a Guto, durante sua trajetória nos solos semiáridos do nordeste, mostrarão o quanto a vida pode ser dura, áspera mas, que também nos presenteia com delicadezas e belezas, naturais ou não. O crescimento de Guto enquanto ser humano, é o grande “pulo do gato” que o leitor acompanha passo a passo em uma deliciosa leitura.”

Confira a resenha completa aqui.

 

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Entrevista para o “Pianista Boxeador”

No final de 2015, Daniel Lopes me entrevistou para o seu blogue Pianista Boxeador, aqui reproduzido:

O escritor Gláuber Soares fala um pouco sobre o seu processo criativo, sua vida, suas leituras, suas influências, conversa ainda sobre a origem do seu segundo livro e primeiro romance publicado Face Emplumada, a sua estreia na literatura foi com o livro de contos Remédio Forte, o qual foi traduzido e será lançado esse ano na Argentina…

capaSeu primeiro livro publicado foi a coletânea de contos Remédio Forte; entretanto, você já escrevia textos de maior fôlego antes de se dedicar à forma mais sintética que constitui o conto. Como se dá a passagem de uma forma literária à outra no seu processo de criação? Quando começa a escrever, você já tem certeza da extensão? Ou aos poucos o texto vai se constituindo como romance, novela ou conto?

No início, só pensava em textos mais longos. Já imaginava o começo, o meio, o fim. No ano de 2000, comecei a escrever o meu primeiro romance finalizado (não publicado). Em 2002, ele estava pronto — no formato tradicional de livro daria umas 160 páginas. Somente após participar de uma oficina de criação literária, em 2010, comecei a escrever contos, meio que por obrigação. Praticando, acabei me apaixonando também pela forma dos contos. Suas nuances. Hoje, geralmente, eu penso: tal enredo daria um romance ou conto. Mas Face Emplumada desorganizou a minha lógica. Comecei escrevendo o que seria um conto. O texto foi ficando mais longo, pedindo mais personagens, enfim, percebi que ali a melhor forma seria uma novela ou romance.

Já que  mencionou a criação de personagens, devo dizer que achei muito interessante a galeria de personagens que atravessam Face Emplumada, desde o cabeleireiro queer Sandrinho até o Seu Galdino da fazenda Asa Azul. Considerando que a construção de um romance envolve cinco instâncias que se interpenetram (a saber, o tempo, o espaço, a linguagem, o enredo e as personagens. Há romances cuja força motriz está no tratamento do tempo, como À sombra do vulcão, de Malcolm Lowry; há romances cujo centro é a desterritorialização, o tratamento do espaço, como On the road, de Kerouac; Clarice Lispector desconstrói a linguagem, Luiz Brás recoloca o enredo em evidência e ao falar de Dom Casmurro, logo pensamos na personagem enigmática de Capitu…) Você diria que, enquanto criador, a sua maior potência está na criação das personagens ou em uma das outras quatro instâncias? Sei que tais categorias não surgem compartimentadas quando se escreve algo, mas quando você relê o trabalho, onde você acha que está a maior força da sua escrita?

Rapaz, neste ponto não sei se tenho a melhor resposta. Não costumo consumir energia me autoanalisando. Nem tenho as ferramentas teóricas para isto. Mas, sem fugir de uma resposta, eu me preocupo mais com a linguagem e com o enredo, balancear essas duas instâncias. As performances, forças das personagens, a meu ver, vêm como consequências deste balanceamento.

Acho que a linguagem também é uma força da sua prosa: enxuta, desenvolta, variável; vai das gírias mais urbanas à musicalidade mais sertaneja. Penso, inclusive, ser um traço extremamente original da sua escrita esta mistura do provinciano e do cosmopolita, do urbano e do rural. Já na epígrafe, você une provérbio baiano e David Bowie. A trajetória de Gustavo vai do interior de São Paulo, à capital paulista e de lá à Quixadá. Na música, também muito presente no livro, nós vimos essa antropofagia, essa deglutição do pop pelo pelo sertanejo, tanto no tropicalismo, quanto no mangue beat. Diz aí, na literatura quais são suas influências na criação deste estilo híbrido? E nas outras artes? Quais são os artistas de esferas exteriores à literatura que influenciam sua escrita?

Na literatura, curto bastante o João Antônio, Luiz Bras, Marcelino Freire, Patativa do Assaré, Lygia Fagundes Telles, entre outros. Nas artes plásticas, Carybé, o mais baiano dos argentinos, sua vasta obra me desperta a atenção. A música sempre me influenciou. Das batidas às letras; de Luiz Gonzaga, Dorival Caymmi a Morrisey e Ramones. Lembro-me que ainda no meu primeiro romance citado, imaginava o projeto do livro com um CD encartado, ou seja, tinha a sua trilha sonora. Em Face Emplumada, Bowie foi um dos músicos que me inspirou, ajudou a dar o tom.

O que mudou e o que se manteve na sua escrita de Remédio Forte aFace Emplumada?

Remédio Forte foi uma coletânea de contos. Havia a preocupação social, passagem do tempo, a morte – temas que dão unidade ao livro. Algumas narrativas, como Próximo, Juntinhos, Rio Cachoeira, Isabela e o conto que dá nome ao livro já sinalizavam para este estilo mais impregnado em  Face Emplumada. Acredito que não houve mudança, talvez tenha tido um amadurecimento, uma afirmação.

Você publicou Face Emplumada por uma editora independente, como enxerga o mercado editorial brasileiro?

Para quem está preocupado com a arte, e não em ser uma celebridade, o comportamento do mercado não faz muita diferença. Levando em conta os números da população brasileira, o nosso mercado editorial, principalmente o literário, é incipiente. Somos um dos países da América Latina em que menos se lê. As grandes editoras ganham dinheiro vendendo livros didáticos para os governos. No gênero Literatura, meia dúzia delas formam uma elite que se mantém no topo com os best-sellers importados. Com alguma exceção, não estão preocupadas com a literatura brasileira, desejam o lucro fácil. Os prêmios literários ajudam a maquiar. Tentam, com o glamour, iludir, e até têm conseguido, como se a desprezada literatura nacional tivesse, de fato, importância. O que sobrou da mídia não percebe o engodo. Um outro vilão são as livrarias. Não investem no processo de publicação – tudo bem, este não é o papel delas, no entanto, as livrarias só querem levar vantagem. Muitas só aceitam livros em consignação e pra pagar à editora, quando pagam, pedem um prazo de 90 dias. É claro que os maiores grupos editoriais têm poder de negociação. O que não impediu a excelente Cosac Naify, há pouco, noticiar que vai fechar, dando como um dos motivos este longo prazo. Ainda assim, diante de tanta dificuldade, nem tudo está perdido. As pequenas editoras, com as suas pequenas tiragens, continuam fomentando a nada incipiente arte literária brasileira.

Há algo que você gostaria de dizer, mas não foi perguntado nesta entrevista? Fique à vontade.

Apenas dizer para os leitores ficarem atentos com a cena literária paulista. Você sabe, Daniel, temos uma geração de ótimos escritores. Poesia, romance, conto, há muita coisa boa sendo feita por aqui. O seu romance A Delicadeza dos Hipopótamos, por exemplo, é um livro sensacional. Enfim, prestigiem mais a literatura brasileira.

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Análise de “Face Emplumada” pelo escritor Alba Atróz

Alba Atróz

Alba Atróz

Acabei a leitura de Face emplumada, romance de Gláuber Soares, e o que pude observar é que a perturbação do daltônico Gustavo, ou Guto para os íntimos, o protagonista e narrador da história, não vem somente da dificuldade de diferenciar cores – o que é característico de tal anomalia genética -, mas, sobretudo, sua perturbação advém de como percebe criticamente o seu entorno ou o mundo à sua volta e como se sente incapaz de lhe dar com a vida dentro de um cotidiano sistemático que o engaiolou e lhe faz sentir-se desencontrado na solitude da quitinete – longe da vida e família interiorana – e onde só encontra comunicação intrapessoal e interpessoal com o famoso personagem de ninguém mais ninguém menos que o músico recentemente falecido David Bowie, falo de Ziggy Stardust, um confidente fiel de Guto, estampado num pôster colado na parede, e de quem o protagonista de Face emplumada é muito fã. Naufragado em questões existenciais, o protagonista sente-se ilhado no centro urbano em que habita e, para ele, as coisas não estão bem legíveis e explicadas não – sempre lhe é estranho olhar da janela e ver os “zumbis” da cidade subirem a rua para usar drogas para suportar existir ou “desexistir” dentro de um estilo de vida que fragmenta e isola pesando muito sobre as costas de todos. Seu daltonismo – descoberto tardiamente e por acaso – é-lhe uma metáfora que só se soma ao íntimo desespero intrínseco em seu ser. Não são só os órgãos responsáveis pela visão que lhe trazem traumas, mas suas memórias deturpadas desde a infância, lesões em seu próprio universo podado, suas vontades próprias, seus gostos e interesses pessoais, suas utopias responsáveis por seus batimentos cardíacos, cortes e barragens que lhe davam sempre a visão turva daquele realismo angustiante e um profundo sentimento de despertencimento e incapacidade de ser-se no lugar que morava. Sabia que tinha que se reinventar, ceder ou mentir para si mesmo, isto lhe era claro. Até mesmo os “pets” que desejou ter, nunca pôde: “Pedi um hamster pra mamãe. Depois coelho, porco, galo, sapo, iguana. Gato e cachorro, animais que lambem suas feridas nunca quis. Ela não atendeu a nenhum dos meus apelos…”. O jeito foi adotar escondido uma barata então, numa caixa de papelão, longe do olhar de seus opressores – principalmente da visão e julgo rígido de seu pai que lhe oprimia sob a superproteção materna e quem ajudou a fraturar vínculos afetivos importantes dentro da família. Chamou de Linda a barata, um ser que todos acham feio e repulsivo, que todos repudiam, menos ele, um oposto e contrário do mundo que se via forçado a viver. Seguir o mesmo caminho ambicioso, em trampos que julgam ser bons, em sonhos de consumo que encadeiam a simplicidade e bloqueiam a liberdade de ir e vir sem ser questionado, algemando o ser humano em máquinas, calculadoras, em relações efêmeras, interesseiras, para o personagem é uma forma de opressão de sua própria essência que lhe cobra sua liberdade, pois ele não faz parte daquela aceitação fria das relações e dos negócios onde quem pode mais chora menos; e o sistema mostra isto despedindo sem motivos, sem dó, sem pena, o que para eles é descartável e substituível, a não ser que se façam alianças nepotistas, corruptas ou se estabeleça casos extraconjugais que corrompam éticas de respeito nas relações humanas. Como se jogar de um lugar onde ele se sente estranho, longe de si, estereotipado por seus habitantes que o cercam e contribuem para oprimi-lo num circo triste cheio de ausências, perdas de vínculos afetivos, relações profundas sem envolver bens materiais. Enfim, na azáfama da grande metrópole estava insuportável continuar, era preciso encarar uma possível solução. A amizade com o homossexual cabeleireiro Sandrinho e com a vizinha gostosona Paula, lhe trazia provas concretas da importância de se ter amizades verdadeiras. Estes dois personagens seriam o porto mais seguro de Guto quando o momento de felicidade e paz momentânea, que buscou, chegasse ao fim e o devolvesse à vida que, infelizmente, teria que tolerar, mesmo não aceitando. Foi no salão de Sandrinho, enquanto esperava sua vez para cortar o cabelo, que se sentiu instigado a buscar um novo horizonte e fugir da prisão. Sentiu-se chamado pela história de um tal Ceará que contava a um amigo sobre o dia que conheceu em Quixadá, caatinga cearense, uma galega coxuda, universitária, cheirosa e cabaça ainda, numa tal fazenda chamada Asa Azul, sob a tutela de um velho avô dela. O Ceará sugeria-lhe indiretamente uma possibilidade de safar-se e refazer sua vida em outro lugar, conhecer um novo horizonte e, principalmente, uma garota excitante. Aprendeu a pilotar moto, comprou os acessórios e indumentárias de um típico motoqueiro, lutou para conseguir férias e partiu numa aventura, num impulsivo destino, excitado em conhecer a tal galega e o lugar onde ela vivia. É claro que os resultados disso tudo não podem ser contados aqui, mas as decepções que a morte pode trazer, a quebra de expectativa, as possibilidades que ela tira-nos e nos dá estão presentes quando ele chega. A amizade com o viúvo e solitário, velho Galdino, parece que foi um encontro com o pai que ele não teve, e que o transformou no rústico sujeito feliz e sem vontade de regressar. Porém, aprendeu também que será sempre linchado, sempre acuado, sempre estereotipado, onde quer que pise como a coruja alcunhada de Face Emplumada de Maçã Cortada ao Meio. Ela era como se fosse ele no meio urbano, talvez. A ave tornou-se o pet que o protagonista nunca teve, ela tornou-se uma redenção de seu próprio ser, talvez, não somente o mascote que rondava o sítio emitindo os seus sonoros assobios e que o povo supersticioso tinha como mau agouro – e que, também, um dia foi atingida na asa e precisou ser tratada e devolvida à natureza pelo próprio Guto que precisava também ser curado e voltar – era um alerta de que a vida tem começo-meio-fim, não tem jeito, e que podemos – se tivermos sorte – voltar em forma de uma pipa de um menino, aprendendo que a vida é da maneira como nós a enxergamos ela pairar sobre nós e os outros, dentro dos conceitos de existência, e como ela nos locomove de um jeito ou de outro rumo à fatídica cova já aberta e à nossa espera dentro do estilo de vida ou arapuca em que o ser humano está metido.

 

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Lançamento do romance “Face Emplumada” nos Parlapatões

“Face Emplumada narra uma fascinante jornada de autoconhecimento, para bem longe da bolha caótica da civilização. Gustavo tem vinte e oito anos, é daltônico e vive sozinho numa quitinete na região central de São Paulo. Seguindo um sonho maluco, Guto entrará em contato com as forças poderosas do semiárido nordestino – e por elas será modificado. Uma epifania profana o aguarda no labirinto ensolarado da caatinga.”

convite

Serviço
O exemplar estará à venda por R$ 35,00 (pagamentos em dinheiro, cheque e cartões de débito ou crédito).
Gênero: Romance
Número de Páginas: 176
Formato: 14×21
Livro publicado pela @link editora

Compre aqui pelo site da editora
(frete grátis)

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Pré-lançamento do romance “Face emplumada” na Balada Literária

Face emplumada dará o seu primeiro voo dentro da Balada Literária, evento que está em sua décima edição, organizado pelo escritor Marcelino Freire. Dia 19/11, a partir das 18h30, no Centro Cultural b_arco. Haverá outros lançamentos, além do  pocket-show “PraOndeMicro” com Maurício Pereira e participação de Tonho Penhasco. Te vejo lá!

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O Centro Cultural b_arco fica na Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426 – Pinheiros, São Paulo — Metrô Clínicas.