Face Emplumada

face2

Pré-lançamento: com Marcelino Freire na Balada Literária. Fotos: Fernando Rocha.

capaVerso_670Compre pelo site da editora (frete grátis)

FaceMaça

“Gustavo tem vinte e oito anos, é daltônico e vive sozinho numa quitinete na região central de São Paulo. Veio jovem do interior paulista, para estudar e trabalhar. Atualmente é analista financeiro de um banco de investimento, na poderosa avenida Paulista.

Amigo da solidão, Guto também tem algo dos heróis desencantados da literatura existencialista de Camus e Sartre: a integridade moral. Sua vida segue sem grandes solavancos, até o dia em que decide viver uma grande aventura: ir de Sampa a Quixadá, no Ceará, atrás de uma garota que nunca conheceu mas não consegue tirar da cabeça. Parte do trajeto ele desbravará de moto.

Primeiro romance de Gláuber Soares, Face emplumada narra uma fascinante jornada de autoconhecimento, para bem longe da bolha caótica da civilização. Seguindo um sonho maluco, Guto entrará em contato com as forças poderosas do semiárido nordestino – e por elas será modificado. Uma epifania profana o aguarda no labirinto ensolarado da caatinga.

Para povoar essa viagem incomum, o romancista criou uma galeria de personagens inesquecíveis: o cabeleireiro Sandrinho, seu Galdino (o eremita da Fazenda Asa Azul) e sua família, a fisioterapeuta Paula, entre outros. Nessa galeria há espaço até para entidades insólitas, fruto da realidade e da imaginação fértil do protagonista: o roqueiro Ziggy Stardust e a grande coruja branca (rasga-mortalha).

Guto é um herói urbano que sente certa ojeriza da metrópole. É um narrador sereno e ponderado, que descreve o mundo à sua volta de maneira objetiva. Mas às vezes delírios e sonhos instáveis assombram essa harmonia, desequilibrando qualquer objetividade.

O encontro com as múltiplas formas da natureza áspera − a paisagem seca da caatinga, o preconceito e a hostilidade do mundo rural − será um teste definitivo de caráter e coragem. Teste do qual Guto sairá transfigurado, querendo ou não.”

(texto das orelhas escrito por Nelson de Oliveira)

***

face4

Julio Cortázar afirma que “No combate entre um texto apaixonante e o seu leitor, o romance ganha sempre por pontos…”. Não é diferente com o romance de Gláuber Soares; ele nos leva a uma deliciosa peleja com quarenta e cinco rounds. Daqueles de deixar o leitor com as pernas bambas. São golpes de direita, de esquerda, ganchos precisos, joelhadas e chaves de pescoço, tudo isso com a sutileza de um peso-leve.
Lendo, no primeiro momento, não se percebe a estratégia: ele vai cercando, alternado os ritmos, com uma intriga entre os substantivos e os adjetivos. Com uma trama entre o presente e o passado recriado. Distrai colando no protagonista, dizendo o que pensa, o que já quis e o que virá. Dessa forma, Gláuber trabalha o texto em brechas que você não sabia que existia. E se o leitor baixar a guarda precisará imediatamente se desviar de um cruzado.

Em alguns momentos, o autor opera como um peso-pesado bailarino. Voa como uma borboleta e ferroa como um enxame de abelhas, alternando compassos, sons, cores e calor. Quando menos se espera, seu protagonista está na lona ouvindo a contagem, os zumbidos, porém com um inesperado fôlego para mais alguns rounds. Ele o deixa levantar, respirar e até pensar que nada de novo virá. De repente o chão sobe outra vez!

Face emplumada tem os seus golpes frontais, derrubando a sua guarda, nunca o leitor. Com este romance, Gláuber Soares prova que está um escritor maduro, construindo sua literatura, ousada, arriscada, e fixando duradoras alianças conosco. Retomando o autor argentino, escrever é golpear, e mais: “Escrever é uma luta contínua com a palavra. Um combate que tem algo de aliança secreta.” Fiquemos em posição de combate!”

(apresentação por Plínio Camillo)