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Aprecie o Silêncio – com Depeche Mode

Palavras como violência
Quebram o silêncio
Vem destruindo
O meu pequeno mundo interno
Doloroso para mim
Me perfura
Você não consegue entender?
Oh, minha garotinha

Tudo o que eu sempre quis
Tudo o que eu sempre precisei
Está aqui em meus braços
Palavras são bem
Desnecessárias
Elas apenas causam feridas

Promessas são feitas
Para serem quebradas
Sentimentos são intensos
Palavras são insignificantes
Os prazeres ficam
E também a dor
Palavras são sem sentido
E são esquecíveis

Tudo o que eu sempre quis
Tudo o que eu sempre precisei
Está aqui em meus braços
Palavras são bem
Desnecessárias
Elas apenas causam feridas

Tudo o que eu sempre quis
Tudo o que eu sempre precisei
Está aqui em meus braços
Palavras são bem
Desnecessárias
Elas apenas causam feridas

Tudo o que eu sempre quis
Tudo o que eu sempre precisei
Está aqui em meus braços
Palavras são bem
Desnecessárias
Elas apenas causam feridas

Aprecie o silêncio…

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Lenda do Pégaso

Então, criançada, que tal dar um descanso pra Galinha Pintadinha?

Moraes Moreira/Jorge Mautner

“Era uma vez, vejam vocês, um passarinho feio
Que não sabia o que era, nem de onde veio
Então vivia, vivia a sonhar em ser o que não era
Voando, voando com as asas, asas da quimera

Sonhava ser uma gaivota porque ela é linda e todo mundo nota
E naquela de pretensão queria ser um gavião
E quando estava feliz, feliz, ser a misteriosa perdiz
E vejam, então, que vergonha quando quis ser a sagrada cegonha

E com a vontade esparsa sonhava ser uma linda garça
E num instante de desengano queria apenas ser um tucano
E foi aquele, aquele ti-ti-ti quando quis ser um colibri
Por isso lhe pisaram o calo e aí então cantou de galo

Sonhava com a casa de barro, a do joão-de-barro, e ficavatriste
Tão triste assim como tu, querendo ser o sinistro urubu
E quando queria causar estorvo então imitava o sombrio corvo
E até hoje ainda se discute se é mesmo verdade que virou abutre

E quando já estava querendo aquela paz dos sabiás
Cansado de viver na sombra, voar, revoar feito a linda pomba
E ao sentir a falta de um grande carinho então cantava feito umcanarinho
E assim o passarinho feio quis ser até pombo-correio

Aí então Deus chegou e disse: Pegue as mágoas
Pegue as mágoas e apague-as, tenha o orgulho das águias
Deus disse ainda: é tudo azul, e o passarinho feio
Virou o cavalo voador, esse tal de Pégaso

Pégaso (11x)
Pega o Azul”

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A Nação Zumbi & o Fã VIP


Ao menos no cenário nacional, desde a Tropicália, nada foi tão revolucionário, criativo e musical quanto Chico Science & Nação Zumbi.

Vi os mangueboys surgirem com os seus tambores no Fanzine, programa da TV Cultura, apresentado pelo Marcelo Rubens Paiva, em 1993. Não foi amor à primeira batida. Fiquei com um pé atrás. Achava que imitavam o querido Olodum. Ainda tinha a metáfora da parabólica enfiada na lama. Recife. Mangue. Caranguejo. Homens gabiru. Quanto papo furado?! Não entendia nada daquilo. Mas aos poucos fui percebendo que a levada era outra.

Baque de arrodeio, maracatu, embolada, hip hop e rock and roll – “tudo bem envenenado / bom pra mim e bom pra tu / pra gente sair da lama e enfrentar os urubus”. Antropofagia de primeira. Virei fã da banda que lideraria o manguebeat. Em 2000, após a prematura morte de Science, tive a oportunidade de entrevistar Jorge Du Peixe – que herdou o vocal.

Era um sábado de manhã. Descobri que a Nação Zumbi iria ensaiar à tarde na Woodstock – tradicional casa de shows de rock na rua da Consolação. Passei no apê do André (rapper Pirata) e fomos lá. Eu estava apreensivo. Não havia agendado. Não sabia se iriam me receber. Mas o meu maior receio era por ser muito fã do som dos caras. Não queria que houvesse mácula na minha paixão.

Cheguei antes deles. O pessoal da Woodstock nos deixaram entrar. Não demorou, os mangueboys chegaram com o Clemente, da banda punk Inocentes, vixe!, outra lenda. Me apresentei a eles e, enquanto os músicos afinavam seus instrumentos, Jorge Du Peixe me atendeu numa boa. Tivemos uma longa conversa. A entrevista foi publicada no portal eAprender(onde trabalhava). Depois Du Peixe se juntou à banda. Mas antes, ele mandou colocar meu nome na lista de entrada VIP para o show à noite. E assim, sendo VIP, fiquei ainda mais fã dos caras.

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Beleza Pura

Compartilho uma música que muito ouvi em minha adolescência. Que me traz as melhores lembranças dos verões na Bahia. Guitarra com sotaque baiano. Interessante como a música pode nos transportar. “Conchas do mar / Ela manda buscar pra botar no cabelo”. Posso sentir a maresia. O calor. O Gogó da Ema. “Não me amarra dinheiro não”. As pessoas. O clube. Meu pai. Deaço. Saudade, painho.

Não me amarra dinheiro não / Mas formosura
Dinheiro não / A pele escura
Dinheiro não / A carne dura
Dinheiro não
Moça preta do curuzu / Beleza pura
Federação / Beleza pura
Boca do Rio / Beleza pura
Dinheiro não
Quando essa preta começa a tratar do cabelo / É de se olhar
Toda a trama da trança / a transa do cabelo
Conchas do mar / Ela manda buscar pra botar no cabelo
Toda minúcia / Toda delícia
Não me amarra dinheiro não / Mas elegância
Não me amarra dinheiro não / Mas a cultura
Dinheiro não / A pele escura
Dinheiro não / A carne dura
Dinheiro não
Moço lindo do Badauê / Beleza pura
Do Iê Aiyê / Beleza pura
Dinheiro yeah / Beleza pura
Dinheiro não
Dentro daquele turbante do Filho de Ghandi / É o que há
Tudo é chique demais / Tudo é muito elegante
Manda botar / Fina palha da costa em que tudo se trance
Todos os búzios / Todos os ócios
Não me amarra dinheiro não,
mas os mistérios

(Grupo A Cor do Som / letra de Caetano Veloso)